A MMT e a dívida pública: dívida é um problema?

A dívida é um grande problema?

Depende.

A dívida privada é. Eu, por exemplo, não emito a moeda na qual minhas dívidas estão denominadas e também não determino a taxa de juros delas com os Bancos. Se a minha dívida crescer muito em relação aos meus rendimentos mensais e eu não fizer nada sobre isso, em algum momento irei, literalmente, à falência. Isto também serve para as empresas.

Empresas endividadas, jovens abarrotados de dívidas educacionais e famílias com grandes dívidas imobiliárias podem ser levadas à falência! E esta falência, geralmente, ocorre no momento em que as taxas de juros sobem e/ou a economia entra em recessão.

A relação dívida/renda do setor privado é importantíssima e deve ser mantida sob controle.

E a dívida pública, é um problema?

Depende.

A dívida externa, certamente, é um problema potencial. Assim como eu e você não emitimos reais (R$), o Brasil não emite dólares. Uma dívida externa fora de controle pode gerar grandes problemas econômicos.

O Brasil pode fazer frente a qualquer obrigação denominada em R$, bem como comprar qualquer coisa que esteja à venda em sua moeda. Contudo, para cumprir obrigações em dólares e para importar, obviamente, precisa de dólares, podendo obtê-los via exportações ou fluxo de capitais. Dito isso, fica muito difícil acumular dólares para fazer frente às importações e obrigações externas (denominadas em dólares) se a dívida externa drenar as nossas reservas internacionais. Este foi um grande problema para o Brasil na década de 1980. Contudo, atualmente, a nossa dívida externa é negativa e temos um grande estoque de reservas. A relação do nosso passivo externo denominado em dólares frente ao nosso nível de reservas internacionais é importante, mas está sob total controle.

Já a nossa dívida interna, denominada na moeda que emitimos e com títulos remunerados na taxa de juros que determinamos (com alguns limites) é sempre segura, solvível.

Além disso, o gasto público, por definição, é renda para o setor privado (e externo). Contração nos gastos públicos culmina em retração da renda privada. E com uma renda privada menor e/ou com juros maiores, é de se esperar que a problemática relação dívida/renda do setor privado suba, elevando o risco sistêmico.

Conclusão: dívida externa e dívida privada (famílias e empresas), são potenciais problemas. Já a dívida pública não é problema por definição, mas sim um poderoso mecanismo que pode, inclusive, mitigar os potenciais riscos de uma explosão das dívidas privadas.

Síntese:

(i) A relação dívida/renda do setor privado é algo que deve ser mantido sob controle e oferece grandes riscos às famílias e empresas.

(ii) Dívida externa: a proporção entre nosso passivo externo denominado em dólares e a quantidade de reservas internacionais deve ser mantida sob controle e vigilância.

(iii) A relação dívida/PIB não é um PROBLEMA por definição. Entretanto, é claro que um estoque de dívida muito elevado em proporção ao PIB remunerado à uma taxa de juros extremamente alta implica em um gasto extremamente regressivo que transfere renda do conjunto da sociedade para o topo da pirâmide, piorando a dinâmica econômica, já que concentra renda nas mãos de quem tem menor propensão a gastar (caso Brasil?)

Nenhuma descrição de foto disponível.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s